Nossa comunhão se faz através de princípios.

    Mon, Nov 13 2017 19:32:01
      

Nossa comunhão se faz através de princípios...

"A nossa mais elevada tarefa deve ser a de formar seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmos, encontrar propósito e direção para suas vidas."
Rudolf Steiner

A chegada de uma criança em nossas vidas é sempre repleta de encantamento, seja pela grandiosidade do milagre da vida, pela força de renovação de nossos ideais ou pela força de transformação que se torna pungente em nosso interior. Nossos filhos nos convidam diariamente a fazer escolhas, ponderar, agir, confiar e recomeçar. Mas sabemos que este caminho de educar e apoiar o desenvolvimento de outro Ser Humano é também desafiador e os dias por vezes são permeados por dúvidas, angústias e solidão.

Neste momento a comunhão de ideais entre família e escola torna-se um bálsamo que pode auxiliar e dar suporte a este processo. Uma tarefa tão nobre e grandiosa deve ser apoiada em alguns princípios primordiais tais como o respeito ao desenvolvimento físico da criança, o suporte anímico e o alimento espiritual que lhe darão o ambiente propício para germinar a essência de cada Ser.

O respeito ao desenvolvimento físico se manifesta em pequenos e grandiosos gestos cotidianos como respeitar o tempo da criança para se colocar de pé sem aparatos artificiais, como oferecer-lhe o tempo-espaço para o brincar livre ou mesmo para que amarrar os sapatos sozinha seja um evento digno de comemoração e reconhecimento. Oferecer-lhe suporte anímico é compreender que ás vezes os gestos dizem o que ainda não são capazes de verbalizar e que a vontade se torna uma força poderosa em sua corporalidade, portanto aprender a reconhecer seus sentimentos é fascinante, mas também muito assustador. Como é majestoso quando o olhar do adulto pode refletir em sua criança um mundo bom, acolhedor, encorajador e repleto de encantamento! Isto fortalece sua alma infantil e alimenta seu impulso por crescer e tornar-se autônoma e plena.

Alimento espiritual é parar em meio a uma rotina tão exigente de nosso universo adulto e estarmos realmente absortos pela lagarta que surgiu em nosso quintal, ou admirarmo-nos com aquele arco-íris que veio depois da chuva fina, ou ainda agradecer profundamente pelo pão que vai nos alimentar. Compreender que cada pedra, planta ou bicho fazem parte de minha existência e que ao reverenciar este universo posso reconhecer-me como sagrado Ser, digno de participar desta grandiosa criação. Assim, juntos vamos edificando através da educação de nossas crianças e nossa autoeducação o gérmen de uma sociedade mais justa, fraterna e livre.